terça-feira, 5 de maio de 2026

São João da Barra: R$ 382 mil de PIB per capita, 3 em cada 4 moradores no CadÚnico

 

Abril de 2026

O paradoxo de São João da Barra. SJB tem o maior PIB per capita do conjunto (R$ 382 mil, mais que o quádruplo de Macaé) e, ao mesmo tempo, o maior índice de pobreza (72,28%). Quase 3 em cada 4 sanjoanenses estão no CadÚnico, o que é muito grave do ponto de vista social. Isso não representa um erro de cálculo. Tal conjuntura é a manifestação clássica do que a literatura econômica chama de enclave produtivo. Como isso acontece? A explicação é simples. O Porto do Açu e o complexo logístico-energético geram um valor adicionado bruto extraordinário que infla o numerador do PIB per capita, mas a riqueza não se converte em massa salarial local nem em arrecadação que se traduza em política pública redistributiva. Ou seja, o PIB nasce no porto e sai pela tubulação; a pobreza fica no município.

Macaé, dentro do atual contexto, é a melhor colocada (37,24%), pois conta com uma base de empregos decorrente da atividade petrolífera, um setor de serviços qualificados e estrutura tributária consolidada que atenua os problemas sociais municipais quando comparado aos demais municípios da tabela.

Campos e Rio das Ostras estão tecnicamente empatadas (40,93% e 39,66%). Campos, sede regional, com hospitais, universidades e comércio, hoje sobrevive das rendas geradas pela Petrobras e pelo Porto do Açu, pois, na atual conjuntura, não existe na cidade nenhum grande investimento que possa dar sustentabilidade à economia local. Já Rio das Ostras vive do excesso das rendas de  Macaé, o que permitiu ao município montar uma Zona Especial de Negócios (ZEN) com algumas empresas multinacionais do setor.

A nível nacional, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, o índice médio brasileiro de cadastrados no CadÚnico em relação à população gira hoje em torno de 35-40%, então três dos quatro municípios, Campos, Macaé e Rio das Ostras, estão na média ou um pouco acima dela, em uma região que recebe os maiores volumes de royalties per capita do país, ao contrário dos demais municípios brasileiros, que vivem submersos numa profunda crise fiscal, exceto os municípios das capitais.

Portanto, esse é, em si, o problema fiscal-distributivo do Norte Fluminense dentro dessa realidade numérica. Ou seja, existe renda, mas ela é mal aplicada pelos prefeitos da região, que priorizam a elevação da despesa pública em detrimento dos investimentos geradores de emprego e renda, como todos nós estamos cansados de saber.


Nenhum comentário:

Postar um comentário