quinta-feira, 7 de maio de 2026

Sangria silenciosa: assistência social encolhe 15% em termos reais enquanto royalties batem recorde

 


O gráfico acima demonstra a aplicação dos recursos da área da assistência social dos municípios com a maior densidade econômica da região Norte Fluminense, comparando os meses de janeiro e fevereiro de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, cujos dados foram retirados do TCE-RJ. Das cidades contempladas no gráfico, a única que apresentou elevação nos gastos nesse recorte de tempo foi Rio das Ostras.

Já na última linha da tabela, o total dos gastos dos quatro municípios foi maior em 2025 quando comparado a 2026. O que se observa nos números é uma contração agregada de 11,66% nos investimentos sociais dos referidos municípios. Em termos reais, considerando um IPCA oficial de 4,44% em 12 meses até fevereiro de 2026, a contração real agregada chega a −15,42%, o que não é insignificante e é lamentável. Isso representa, na nossa opinião, uma sangria silenciosa na rede de proteção social num momento em que esses municípios ainda absorvem população flutuante ligada à cadeia do petróleo. Atenção, senhores prefeitos!

No que diz respeito a Campos, ela puxa o retrocesso com o percentual de (−19,4%). Diante de tal conjuntura, importa lembrar que o município com a maior base populacional vulnerável é justamente o que mais cortou. Com isso, pode-se afirmar: Campos corta R$ 3,8 milhões da assistência enquanto royalties batem recorde por conta da guerra entre os Estados Unidos e o Irã.

No tocante a Rio das Ostras, na contramão (+35%), está o único caso de expansão nominal dos gastos sociais conforme os números. Coincide com o ciclo de crescimento populacional do município (efeito-dormitório de Macaé) e provável pressão por demanda de serviços. É o município que mais respondeu à realidade social no período dentro da atual conjuntura.

São João da Barra teve uma queda nominal nos gastos sociais de −5%. Se observarmos que SJB foi o município de maior crescimento de royalties em abril/2026, há um descompasso entre a arrecadação extraordinária e o gasto social. Num território onde a pobreza só se eleva, basta recorrer aos números de vulneráveis que estão no CadÚnico, conforme as estatísticas de abril de 2026.

Por fim, vale ressaltar o paradoxo do petróleo: três dos quatro maiores beneficiários de royalties da Bacia de Campos estão cortando assistência social ao mesmo tempo em que a região vive num cenário de prosperidade de receitas petrolíferas em função do conflito geopolítico no Oriente Médio. O dinheiro não está faltando. Está havendo inversão de prioridades, é o que percebemos.

 

 


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