Blog do Zé Alves Neto
quarta-feira, 29 de julho de 2026
Oceano de oportunidades, maré de pobreza: em Macaé, Rio das Ostras e SJB, vulnerabilidade social sobe enquanto Campos recua
Segundo
o Panorama da Vulnerabilidade Social, elaborado com base nos registros do
CADÚNICO do governo federal para os municípios de Campos, Macaé, Rio das Ostras
e São João da Barra, é possível comparar o crescimento e a variação do número
de pessoas cadastradas entre julho de 2025 e julho de 2026, ou seja, em um
intervalo de 12 meses.
Pode-se
constatar que a única cidade a apresentar uma leve redução da pobreza, no
período analisado, foi a economia de serviços de Campos. Enquanto isso, na
economia do petróleo de Macaé, onde está implantada a base da Petrobras e
existem muitas oportunidades de emprego e renda, a pobreza elevou-se em 6,11%,
sendo esse, inclusive, o maior índice de variação percentual entre as cidades
do presente estudo. Em Rio das Ostras, outro município com boas oportunidades
de emprego por conta das empresas multinacionais da Zona Especial de Negócios
(ZEN), a vulnerabilidade social também cresceu, com variação de 3,78%. Já em
São João da Barra, terra do Porto do Açu e de um oceano de prosperidade e vagas
de emprego, a pobreza aumentou 4,61%.
Portanto,
os números da vulnerabilidade social, ou da pobreza, levantados nesta
pesquisa, neste comparativo de 12 meses, mostram uma realidade dura e
contraditória. Os municípios ricos em função da extração do petróleo e dos
grandes investimentos em seus respectivos territórios, como são os casos de
Macaé, Rio das Ostras e São João da Barra, tiveram elevação no número de
cadastrados no CADÚNICO em julho de 2026. Já Campos, com sua economia de
prestação de serviços de baixo valor agregado e baixa remuneração dos
trabalhadores, teve uma pequena redução. Para isso, existem vários argumentos
possíveis. Um deles está relacionado ao modelo capitalista concentrador de
renda e fábrica de exclusão social. Essa seria a primeira e mais objetiva
explicação, lembrando sempre que existem outras.
terça-feira, 28 de julho de 2026
Alimentos derrubam IPCA-15 para 0,06% — menor prévia desde 2023
Mais
uma vez, a queda dos preços dos alimentos protagoniza a redução da inflação no
Brasil, pois, no dia de hoje, o IBGE divulgou o IPCA-15 de julho, que é a
prévia da inflação. O índice ficou em 0,06%, 0,35 ponto percentual abaixo do
índice de junho, que foi de 0,41%, o que contraria todas as previsões dos
agentes de mercado, que apostavam todas as fichas em um IPCA-15 de 0,22%.
Apenas para ressaltar, é o menor IPCA-15 desde julho de 2023, quando ele caiu
0,07%. No acumulado do ano, o índice é de 3,51%, e no acumulado de 12 meses ele
ficou em 4,52%.
O
grupo responsável por puxar o resultado para baixo este mês foi o dos
alimentos, como salientamos acima. A alimentação no domicílio teve recuo de
1,14% em julho, refletindo quedas nos preços do tomate (-19,95%), da
batata-inglesa (-10,03%) e do café moído (-3,13%). Já no lado das altas,
ficaram a cebola (7,10%) e o pão francês (0,65%). O IPCA-15 só não foi menor
porque a energia elétrica subiu 3,03%.
Portanto,
o cenário dos preços da economia brasileira é favorável à redução da taxa de
juros Selic pelo Banco Central do Brasil. A taxa de juros alta do país está
estrangulando a atividade econômica, e muitos empresários têm reclamado, pois o
crédito no Brasil está muito caro na atual conjuntura.
segunda-feira, 27 de julho de 2026
Macaé lidera em investimento, Campos lidera em dívida: o retrato fiscal do Norte Fluminense em quatro meses de 2026
O
infográfico apresenta os dados sobre a amortização da dívida, os juros e
encargos da dívida e os investimentos das prefeituras de Campos, Macaé, Rio das
Ostras e São João da Barra, no período de janeiro a abril de 2025 e 2026,
segundo o TCE-RJ.
No
caso de Campos, o pagamento dos juros aumentou 59,45% em 2026, a amortização no
mesmo período recuou 21,39% e os investimentos se elevaram 48,67%.
Em
Macaé não existe dívida no período analisado, e o município investiu, em termos
absolutos, mais de R$ 71 milhões nos primeiros quatro meses de 2026.
Em
Rio das Ostras, os investimentos cresceram mais de 4 mil por cento de janeiro a
abril de 2026, numa ilusão estatística, pois a cidade teve, em 2025, apenas um
pouco mais de R$ 36 mil em investimento público municipal; não pagou juros, e a
amortização da dívida teve um leve aumento de 6,67%.
Já
São João da Barra teve retração de 77,80% nos investimentos no primeiro
quadrimestre de 2026; os juros e encargos, no mesmo período, somaram um pouco
mais de R$ 269 mil, ante zero em 2025; e a amortização da dívida se elevou
16,40%.
Portanto,
diante desse cenário de dívida e investimentos nos municípios produtores de
petróleo, com orçamentos públicos bilionários, podemos dizer que a melhor saúde
fiscal é a de Macaé: sem dívida e com investimentos consideráveis em termos
absolutos, tanto em 2025 quanto em 2026. Ou seja, a dívida é sempre uma ameaça
aos investimentos.


