Blog do Zé Alves Neto
sexta-feira, 17 de julho de 2026
Em São João da Barra, 3 em cada 4 moradores estão no CadÚnico — cadê os empregos do Porto do Açu?
Segundo os dados estatísticos sobre a pobreza
que assola a região Norte Fluminense do estado do Rio de Janeiro no mês de
junho de 2026, onde estão implantados a
Petrobras e o Porto do Açu e que, por conta disso, é um território com uma das
maiores rendas per capita do Brasil, cujos dados foram retirados do CadÚnico do
governo federal.
Pode-se
observar no infográfico acima que o maior índice de pobreza é do município de
São João da Barra, com 73,48%, que tem a menor população e a maior
vulnerabilidade social, onde aproximadamente três em cada quatro habitantes
sanjoanenses estão cadastrados no CadÚnico, na terra do Porto do Açu, que
supostamente possui maiores oportunidades de emprego e renda para a população.
Esses dados são estarrecedores, porque há muita gente numa cidade só em
vulnerabilidade social. Além do mais, a prefeitura tem um orçamento para este
ano de quase um bilhão de reais. Haja contraste!
No
caso de Campos, estão cadastradas no CadÚnico 213.688 pessoas em termos
absolutos, ou 41,17%, o que não é pouco, numa cidade onde a desigualdade social
historicamente é uma marca desde os tempos áureos do açúcar, passando pelo
ciclo do petróleo e chegando agora a uma economia que agoniza. Haja pobreza!
Em
Rio das Ostras, a pobreza também é uma aberração e chega a 40%, numa cidade que
tem muitas oportunidades de empregabilidade. Tal conjuntura é inexplicável!
Por
fim, temos Macaé que, apesar de ter o menor índice de pobreza dos quatro
municípios analisados, 37,80%, também é um município de oportunidades de
emprego por abrigar a maior empresa do Brasil, a Petrobras, e mesmo assim se verifica
uma vulnerabilidade muito grande. Com isso, pode-se dizer que os números
continuam revelando um cenário deplorável no Norte Fluminense do Rio de
Janeiro, no que tange ao aspecto social. Que dura realidade!
Obs:
O índice de pobreza de Macaé é de 37,80% e não de 37,30% como está na arte do
gráfico.
quinta-feira, 16 de julho de 2026
Campos cresce 40% no emprego industrial enquanto Macaé recua 59,5%
No
que diz respeito a Campos, uma economia de serviços e com um setor industrial
que sobrevive a duras penas, com duas usinas em profunda dificuldade
financeira. No mês de maio de 2025, como em 2026, os empregos na indústria
aumentaram e se mantiveram dentro de uma curva de sustentabilidade relativa, em
função da safra sazonal da cana-de-açúcar, que se inicia no mês e vai, no mais
tardar, até setembro. Após esse período, a indústria passa a patinar e a
desempregar. Essa é a dura realidade de Campos. E quem sustenta a economia
local é o Porto do Açu e a Petrobras.
Já
no que diz respeito a Rio das Ostras, o percentual de criação de empregos na
indústria deu um salto de 200%. Se olharmos em termos absolutos, o município
que abriga a Zona Especial de Negócios (ZEN) criou somente três empregos em
2025 e nove em 2026. Pela estrutura industrial que possui, o município, é muito
pouco.
Já
Macaé, a terra da Petrobras, e São João da Barra, a terra do Porto do Açu, dois
motores de crescimento econômico regional, a decepção foi grande. Em Macaé, os
empregos recuaram 59,5%, e em São João da Barra, 127,0%, sendo que o pior é que
o saldo líquido é negativo em maio de 2026 na economia sanjoanense.
Portanto,
aí está o cenário dos empregos na indústria numa região que possui uma das
maiores rendas per capita do Brasil. Ou seja, a indústria local em maio
patinou!
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Trump mexe no Oriente Médio, e quem lucra são os municípios do petróleo no Rio
O
petróleo tipo Brent voltou a subir no dia de ontem por conta do aumento da
tensão entre os EUA e o Irã, em função da ameaça do presidente Trump de cobrar
pedágio sobre as embarcações que passarem pelo Estreito de Ormuz. Sempre ele.
Nesse
local passa uma boa parte do petróleo do Oriente Médio, cerca de 20%, para
irrigar a maioria das economias do mundo capitalista. O barril chegou a atingir
US$ 87,00 e aumentou 16% no acumulado do mês de julho; porém, logo depois, o
presidente americano, mantendo o seu comportamento vacilante de fazer política,
desistiu da ideia, e o preço do petróleo no mercado internacional recuou, mas
se manteve num patamar ainda alto, o que deixa de ser positivo para as
economias como um todo.
Tal
comportamento do chefe de Estado e de Governo dos Estados Unidos tem provocado
muita volatilidade nas economias: as Bolsas sobem e outras são derrubadas, e o
preço do dólar também sofre com aumento e diminuição, o que provoca
instabilidade nos agentes econômicos que vivem das exportações e importações.
Apenas um registro: após a posse do presidente americano, o mundo não é o
mesmo. O risco dos negócios elevou-se significativamente.
Outro
aspecto: com a elevação do preço do barril do petróleo, as exportações da
Petrobras se elevam; como decorrência, entram mais divisas no país, e a
consequência direta, entre outros fatores que também pressionam o câmbio, foi a
cotação do dólar chegar a R$ 5,07, o que, de certa forma, favorece o combate à
inflação no Brasil, pois, com o dólar mais barato, a tendência é entrar no
Brasil mais produtos importados. Esse movimento aumenta a concorrência interna
e os preços caem, compensando de certa forma a alta do barril do petróleo.
Mas,
de qualquer forma, a majoração do barril do petróleo, no que diz respeito ao
custo de vida, sempre é uma preocupação devido ao seu forte impacto nas cadeias
de produção, sobretudo nos alimentos, eis que esse item é o que pesa mais na
cesta de consumo das famílias de baixa renda. Ou seja, encarece o arroz e o feijão
na mesa do trabalhador.
O
lado bom do aumento do barril do petróleo é o aumento das receitas dos
royalties e das participações especiais, que vêm ocorrendo há algum tempo,
fazendo, com isso, a alegria dos prefeitos dos municípios produtores de
petróleo que pertencem à Bacia de Campos e à Bacia de Santos, do pré-sal. Um
chora e outro sorri.
Portanto,
a vida funciona assim: o que é bom para um pode não ser para o outro. E assim
caminha a humanidade.

