Blog do Zé Alves Neto
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
Macaé investe R$ 126 milhões em obras no 1º semestre — mais que o triplo de Campos
O
infográfico mostra a execução orçamentária de janeiro a junho de 2025 e 2026,
das prefeituras de Campos e de Macaé, no que diz respeito aos investimentos
realizados por cada um deles, cujos dados foram retirados do TCE-RJ.
Enquanto
Campos, uma economia de serviços de baixo valor agregado, elevou os
investimentos em mais de 95% no período analisado, Macaé, a economia do
petróleo em função da pujança da Petrobras implantada em seu território,
aumentou os investimentos públicos em 13%. Porém, em termos absolutos, os
investimentos de Macaé superaram, e muito, os de Campos.
Portanto,
em função dos dados acima, pode-se dizer que, em obras e investimentos nos
primeiros seis meses de 2026, Macaé, também pela robustez do seu orçamento
total para 2026, que ultrapassa a cifra de R$ 5,8 bilhões, teve um expressivo
investimento público do ponto de vista nominal. Ainda assim, é em Campos que o
salto percentual mais chama atenção — sinal de que a cidade começa, embora
tardiamente, a acelerar sua própria execução orçamentária.
terça-feira, 4 de agosto de 2026
Um mesmo mês, dois destinos: comércio cresce em Campos e Rio das Ostras, mas desaba em Macaé e São João da Barra
O
infográfico acima retrata a dinâmica do emprego no comércio dos municípios de
Campos, Macaé, Rio das Ostras e São João da Barra no mês de junho de 2026 em
relação a junho de 2025. Os dados revelam contrastes acentuados entre cidades
que expandiram suas vagas e aquelas que sofreram retrações severas, como
veremos abaixo.
Em
Campos, ocorreu uma expansão de 21,1% em junho de 2026 em relação a junho de
2025. O mês de junho é importante para a economia de Campos, porque é quando
ela é irrigada com as rendas do setor sucroalcooleiro, em função da safra
sazonal da cana, que termina, o mais tardar, em setembro. Então, via de regra,
a atividade comercial é beneficiada, como se observou através dos dados da
empregabilidade.
Em
Macaé, numa conjuntura bem atípica, ocorreu uma queda de 95,8% dos postos de
trabalho em junho de 2026. Estranhamente, Macaé, que tem uma renda local
sustentada pela Petrobras, presente em seu território, o emprego teve um
comportamento, que chama muita atenção e merece uma investigação mais
detalhada.
Rio
das Ostras teve uma expansão de 68,8%, o que não é uma novidade do ponto de
vista econômico, pois lá existe a Zona Especial de Negócios (ZEN), que dá
sustentabilidade, a médio e longo prazo, ao sistema econômico local e bem-estar
social à população local.
E
São João da Barra, a despeito do megainvestimento do Porto do Açu, o comércio
sempre teve muita dificuldade para criar empregos formais. A verdade tem que
ser dita: o setor comercial da economia de São João da Barra funciona muito
informalmente. O que é um aspecto negativo a se ressaltar, pois todos perdem,
do trabalhador ao setor público, que perde arrecadação de impostos. Por essas e
outras razões, o comércio encolheu 33,3% no que diz respeito ao emprego.
Portanto,
aí estão os dados do mercado de trabalho dos municípios evidenciados no
infográfico.
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Milhões aplicados, dúvida que permanece: a saúde pública entrega o que promete em Campos e Macaé?
No
comparativo dos investimentos em saúde de janeiro a junho de 2025 e de 2026,
segundo a execução orçamentária encaminhada ao TCE-RJ, verifica-se que a
secretaria de saúde de Campos, no primeiro semestre de 2026, em relação ao
mesmo período do ano passado, aplicou 10,62% a mais. Em valores absolutos, no
semestre de 2026 destinou R$ 542,13 milhões.
Já
Macaé, de janeiro a junho de 2026 em relação ao primeiro semestre de 2025,
elevou os gastos na saúde em 25,13%. Em números absolutos, os recursos
aplicados na saúde macaense foram de R$ 417,2 milhões em 2025 e R$ 522 milhões
em 2026.
Portanto,
no primeiro semestre de 2026, Campos teve o maior investimento absoluto na
saúde, e Macaé, o maior crescimento dos gastos no mesmo período. Com isso,
pode-se dizer: são dois municípios onde a pasta da saúde é milionária. Resta
saber se as populações estão sendo bem atendidas. Porque o dinheiro não está
faltando. Olha para os números. Eles são exorbitantes!
sexta-feira, 31 de julho de 2026
Campos lidera geração de empregos em junho de 2026, mas ainda sente falta de indústria sustentável
No
panorama do emprego industrial entre os meses de junho de 2025 e 2026, segundo
os dados do CAGED, separamos os dois municípios que tiveram expansão na
empregabilidade no mês de junho de 2026 em relação ao mês de junho de 2025, e
os dois que tiveram retração.
Como
é o caso de Campos, que teve um crescimento de 472,50%, saltando de 40 postos
de trabalho em junho de 2025 para 229 postos em junho de 2026, obviamente por
conta do efeito sazonal da safra do setor sucroalcooleiro. Esse comportamento
demonstra claramente a força das duas usinas em decadência financeira na
economia local. Por outro lado, tal conjuntura reacende o debate a respeito da
industrialização da economia de Campos. O que me deixa à vontade para dizer:
que falta faz a Campos um setor industrial que tivesse sustentabilidade no
médio e no longo prazo. Não se pode esquecer jamais que oportunidade para
industrializar a economia de Campos não faltou em anos recentes de muita
fartura de dinheiro dos royalties, com a criação do Fundo de Desenvolvimento
Econômico (FUNDECAM), cuja experiência da prefeitura local, em governos
passados antes do atual, foi frustrante por diversas razões que o povo campista
está cansado de saber, e é desnecessário salientar aqui para não sermos
redundantes e cansativos. Com isso, quem paga pela inoperância dos gestores
campistas do passado é realmente a população que não tem empregos formais.
Agora não adianta chorar o leite derramado.
Já
em Rio das Ostras, os postos na indústria cresceram 573,33%, subindo de 15
postos em junho de 2025 para 101 postos em junho de 2026. Porém, quem observa
apenas a variação percentual de Rio das Ostras pode achar que a indústria da
Zona Especial de Negócios (ZEN) está num eldorado econômico. Os números
absolutos refutam totalmente o absurdo estatístico dos números relativos.
Do
lado da retração, Macaé teve uma redução de 53,44%, saindo em junho de 2025 de
262 empregos e caindo para 122 em junho de 2026, a despeito de existir no
território macaense a base da Petrobrás. Realmente, a economia macaense em
junho ficou devendo.
A
outra foi São João da Barra, terra do porto do Açu, onde os empregos
industriais encolheram 177,22%, constituindo assim um cenário crítico, pois
saiu de um saldo positivo de 79 empregos em junho de 2025 para um saldo
negativo de 61 em junho de 2026. Uma pergunta não quer calar: cadê os empregos
do porto? É uma conjuntura muito estranha!
Por
fim, vale ressaltar que os dois cenários de menos empregos em junho de 2026
foram registrados em duas cidades do Norte Fluminense que hospedam dois
megainvestimentos: em Macaé, a base econômica da Petrobrás; e em São João da
Barra, a estrutura econômica e logística do Porto do Açu.



