O IBGE divulgou ontem o IPCA-15 de abril, que mais
que dobrou em um único mês: o indicador foi de 0,89%, ficando 0,45 ponto
percentual acima do resultado de março (0,44%). Em doze meses, acumula alta de
4,37%, já impactado pelo conflito geopolítico, a guerra entre os Estados Unidos
e o Irã.
Quem foi o vilão? Alimentação e bebidas (1,46% e
0,31 p.p.) e Transportes (1,34% e 0,27 p.p.) responderam por 65% do índice do
mês.
O choque de oferta agrícola foi puxado pela
majoração da cenoura (25,43%), cebola (16,54%), leite longa vida (16,33%),
tomate (13,76%) e carnes (1,14%), onerando com isso a cesta básica do trabalhador.
Já o choque de combustíveis veio da gasolina, que
em março registrou recuo de 0,08% e em abril aumentou 6,23%, e o diesel saltou
para 16%.
Por derradeiro, é importante lembrar que o mercado
já projeta o IPCA de 2026, no fim do ano, em torno de 4,86%, acima da meta
inflacionária pré-estabelecida pelo Banco Central do Brasil. Em face dessa
conjuntura inflacionária, talvez hoje o BACEN se recuse a reduzir a taxa Selic,
que se encontra em 14,75%, nível insuportável e que inviabiliza o crescimento
econômico do país ao encarecer o crédito.
Apenas acrescentando ao contexto acima: no que diz
respeito à Economia Fluminense, ao permanecer a Selic no atual patamar, teremos
impactos negativos sobre a construção civil e o comércio local em virtude do
custo elevado do dinheiro, piorando ainda mais a geração de empregos nesses
dois segmentos econômicos.