quarta-feira, 6 de maio de 2026

Norte Fluminense recupera fôlego no emprego de serviços em março de 2026

O gráfico retrata o comportamento do mercado de trabalho no mês de março de 2026 em comparação a março de 2025, segundo a pesquisa do CAGED. Verifica-se que, em março de 2025, Campos perdia 143 vagas com carteira assinada e, agora, em março de 2026, encerrou o mês com saldo líquido positivo de 112 postos formais.

No caso de Macaé, em março do ano passado foram abertas 272 ocupações, número que saltou para 351 no mesmo período de 2026, registrando alta de +29,0%.

Rio das Ostras fechou março de 2026 com saldo positivo de 188 contratações, quantitativo inferior ao registrado um ano antes, quando o município havia somado 204,  recuo de −7,8% no comparativo anual.

Já São João da Barra, em razão das atividades portuárias, foi o grande destaque: passou de apenas 29 admissões líquidas em março de 2025 para 311 nesta apuração de 2026 — variação de +972,4%, ou seja, o saldo praticamente decuplicou em doze meses.

Portanto, diante desse cenário do CAGED, o único município que aparece com saldo negativo foi Campos, em março de 2025, conforme se pode observar no gráfico.

 



 

terça-feira, 5 de maio de 2026

O paradoxo do enclave portuário

 Abril de 2026

Apenas uma rápida explicação sobre o gráfico acima, que na verdade complementa a postagem abaixo. A coluna da esquerda demonstra o indicador de riqueza, que é o PIB per capita, com São João da Barra liderando a classificação. Já a coluna da direita retrata o ranking de menor índice de pobreza, ou, como resolvemos chamá-lo, ranking de bem-estar social. Macaé é a líder e São João da Barra ocupa a última posição. Portanto, aí está a economia sanjoanense classificada tecnicamente como economia de enclave. É isso aí!


São João da Barra: R$ 382 mil de PIB per capita, 3 em cada 4 moradores no CadÚnico

 

Abril de 2026

O paradoxo de São João da Barra. SJB tem o maior PIB per capita do conjunto (R$ 382 mil, mais que o quádruplo de Macaé) e, ao mesmo tempo, o maior índice de pobreza (72,28%). Quase 3 em cada 4 sanjoanenses estão no CadÚnico, o que é muito grave do ponto de vista social. Isso não representa um erro de cálculo. Tal conjuntura é a manifestação clássica do que a literatura econômica chama de enclave produtivo. Como isso acontece? A explicação é simples. O Porto do Açu e o complexo logístico-energético geram um valor adicionado bruto extraordinário que infla o numerador do PIB per capita, mas a riqueza não se converte em massa salarial local nem em arrecadação que se traduza em política pública redistributiva. Ou seja, o PIB nasce no porto e sai pela tubulação; a pobreza fica no município.

Macaé, dentro do atual contexto, é a melhor colocada (37,24%), pois conta com uma base de empregos decorrente da atividade petrolífera, um setor de serviços qualificados e estrutura tributária consolidada que atenua os problemas sociais municipais quando comparado aos demais municípios da tabela.

Campos e Rio das Ostras estão tecnicamente empatadas (40,93% e 39,66%). Campos, sede regional, com hospitais, universidades e comércio, hoje sobrevive das rendas geradas pela Petrobras e pelo Porto do Açu, pois, na atual conjuntura, não existe na cidade nenhum grande investimento que possa dar sustentabilidade à economia local. Já Rio das Ostras vive do excesso das rendas de  Macaé, o que permitiu ao município montar uma Zona Especial de Negócios (ZEN) com algumas empresas multinacionais do setor.

A nível nacional, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, o índice médio brasileiro de cadastrados no CadÚnico em relação à população gira hoje em torno de 35-40%, então três dos quatro municípios, Campos, Macaé e Rio das Ostras, estão na média ou um pouco acima dela, em uma região que recebe os maiores volumes de royalties per capita do país, ao contrário dos demais municípios brasileiros, que vivem submersos numa profunda crise fiscal, exceto os municípios das capitais.

Portanto, esse é, em si, o problema fiscal-distributivo do Norte Fluminense dentro dessa realidade numérica. Ou seja, existe renda, mas ela é mal aplicada pelos prefeitos da região, que priorizam a elevação da despesa pública em detrimento dos investimentos geradores de emprego e renda, como todos nós estamos cansados de saber.


Por Alcimar das Chagas Ribeiro

 

A região Norte Fluminense gerou 1.404 vagas de emprego formal em março

 

A região Norte Fluminense gerou 1.404 emprego formais em março deste ano, saldo maior 11,9% em relação ao mês anterior e maior 61,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. Macaé liderou com 711 novas vagas geradas, seguido por Campos dos Goytacazes  com 337 vagas e São João da Barra com 314 vagas geradas no mês.

No acumulado do trimestre foi gerado um saldo 2.678 empregos com Macaé gerando 1.648 empregos, São João da Barra gerando 671 empregos e Campos dos Goytacazes gerando 344 empregos no trimestre do ano.

Na avaliação setorial, considerando os principiais municípios geradores de emprego na região (Macaé, Campos e São João da Barra), as atividades de serviços concentraram 2.024; a construção civil concentrou 531 empregos; a indústria 138 empregos e a agropecuária 37 empregos. O comércio eliminou 67 empregos no trimestre.

O estado gerou um saldo de 23.914 vagas de emprego no trimestre e o país gerou 613.373 novas vagas no mesmo período. A contribuição do estado na geração de emprego no país atingiu somente 3,9% do total.


quinta-feira, 30 de abril de 2026

Campos contraria Selic alta: construção civil e serviços lideram retomada do emprego

 

No CAGED de março de 2026, publicado no dia de hoje, a economia de Campos dos Goytacazes (RJ) criou 337 empregos com carteira assinada, ao passo que em março de 2025 a redução foi de 413 postos de trabalho, segundo o saldo líquido mensal apresentado no gráfico.

Os dois segmentos que puxaram a recuperação foram a construção civil e o setor de serviços, que em março de 2026 geraram, respectivamente, 126 e 112 vagas formais. Os demais ramos tiveram um desempenho tímido.

Portanto, a despeito da taxa de juros elevada da economia brasileira, a construção civil e os serviços mostraram-se resilientes ao cenário macroeconômico nacional.

 


Segundo corte seguido leva Selic a 14,50%, mesmo com guerra EUA-Irã

 

O Comitê de Política Monetária (COPOM) decidiu no dia de ontem reduzir a taxa de juros Selic, que norteia todas as taxas dos contratos de crédito da economia brasileira, de 14,75% para 14,50%. Foi uma redução tímida, entretanto, necessária para uma economia que ostenta uma das maiores taxas básicas de juros do planeta.

Embora a conjuntura econômica externa esteja em turbulência por conta da guerra entre os Estados Unidos e o Irã, e a inflação no Brasil ameace se elevar, como se observou através do IPCA-15 de abril, o BACEN foi corajoso e assertivo em reduzi-la. Outro fator que contribuiu para essa diminuição foi a manutenção dos juros básicos americanos pelo Federal Reserve na mesma data.

Portanto, estamos diante de uma boa notícia e de uma esperança de melhora no desempenho dos indicadores econômicos e sociais do Brasil.

 


quarta-feira, 29 de abril de 2026

IPCA-15 dispara para 0,89% em abril e Selic mantida em 14,75% ameaça travar economia fluminense

 

O IBGE divulgou ontem o IPCA-15 de abril, que mais que dobrou em um único mês: o indicador foi de 0,89%, ficando 0,45 ponto percentual acima do resultado de março (0,44%). Em doze meses, acumula alta de 4,37%, já impactado pelo conflito geopolítico, a guerra entre os Estados Unidos e o Irã.

Quem foi o vilão? Alimentação e bebidas (1,46% e 0,31 p.p.) e Transportes (1,34% e 0,27 p.p.) responderam por 65% do índice do mês.

O choque de oferta agrícola foi puxado pela majoração da cenoura (25,43%), cebola (16,54%), leite longa vida (16,33%), tomate (13,76%) e carnes (1,14%), onerando com isso a cesta básica do trabalhador.

Já o choque de combustíveis veio da gasolina, que em março registrou recuo de 0,08% e em abril aumentou 6,23%, e o diesel saltou para 16%.

Por derradeiro, é importante lembrar que o mercado já projeta o IPCA de 2026, no fim do ano, em torno de 4,86%, acima da meta inflacionária pré-estabelecida pelo Banco Central do Brasil. Em face dessa conjuntura inflacionária, talvez hoje o BACEN se recuse a reduzir a taxa Selic, que se encontra em 14,75%, nível insuportável e que inviabiliza o crescimento econômico do país ao encarecer o crédito.

Apenas acrescentando ao contexto acima: no que diz respeito à Economia Fluminense, ao permanecer a Selic no atual patamar, teremos impactos negativos sobre a construção civil e o comércio local em virtude do custo elevado do dinheiro, piorando ainda mais a geração de empregos nesses dois segmentos econômicos.