O gráfico
acima demonstra a aplicação dos recursos da área da assistência social dos
municípios com a maior densidade econômica da região Norte Fluminense,
comparando os meses de janeiro e fevereiro de 2026 em relação ao mesmo período
de 2025, cujos dados foram retirados do TCE-RJ. Das cidades contempladas no
gráfico, a única que apresentou elevação nos gastos nesse recorte de tempo foi
Rio das Ostras.
Já na última
linha da tabela, o total dos gastos dos quatro municípios foi maior em 2025
quando comparado a 2026. O que se observa nos números é uma contração agregada
de 11,66% nos investimentos sociais dos referidos municípios. Em termos reais,
considerando um IPCA oficial de 4,44% em 12 meses até fevereiro de 2026, a
contração real agregada chega a −15,42%, o que não é insignificante e é
lamentável. Isso representa, na nossa opinião, uma sangria silenciosa na rede
de proteção social num momento em que esses municípios ainda absorvem população
flutuante ligada à cadeia do petróleo. Atenção, senhores prefeitos!
No que diz
respeito a Campos, ela puxa o retrocesso com o percentual de (−19,4%). Diante
de tal conjuntura, importa lembrar que o município com a maior base
populacional vulnerável é justamente o que mais cortou. Com isso, pode-se
afirmar: Campos corta R$ 3,8 milhões da assistência enquanto royalties batem
recorde por conta da guerra entre os Estados Unidos e o Irã.
No tocante a
Rio das Ostras, na contramão (+35%), está o único caso de expansão nominal dos
gastos sociais conforme os números. Coincide com o ciclo de crescimento
populacional do município (efeito-dormitório de Macaé) e provável pressão por
demanda de serviços. É o município que mais respondeu à realidade social no
período dentro da atual conjuntura.
São João da
Barra teve uma queda nominal nos gastos sociais de −5%. Se observarmos que SJB
foi o município de maior crescimento de royalties em abril/2026, há um
descompasso entre a arrecadação extraordinária e o gasto social. Num território
onde a pobreza só se eleva, basta recorrer aos números de vulneráveis que estão
no CadÚnico, conforme as estatísticas de abril de 2026.
Por fim,
vale ressaltar o paradoxo do petróleo: três dos quatro maiores beneficiários de
royalties da Bacia de Campos estão cortando assistência social ao mesmo tempo
em que a região vive num cenário de prosperidade de receitas petrolíferas em função do
conflito geopolítico no Oriente Médio. O dinheiro não está faltando. Está
havendo inversão de prioridades, é o que percebemos.






