Blog do Zé Alves Neto
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Milhões aplicados, dúvida que permanece: a saúde pública entrega o que promete em Campos e Macaé?
No
comparativo dos investimentos em saúde de janeiro a junho de 2025 e de 2026,
segundo a execução orçamentária encaminhada ao TCE-RJ, verifica-se que a
secretaria de saúde de Campos, no primeiro semestre de 2026, em relação ao
mesmo período do ano passado, aplicou 10,62% a mais. Em valores absolutos, no
semestre de 2026 destinou R$ 542,13 milhões.
Já
Macaé, de janeiro a junho de 2026 em relação ao primeiro semestre de 2025,
elevou os gastos na saúde em 25,13%. Em números absolutos, os recursos
aplicados na saúde macaense foram de R$ 417,2 milhões em 2025 e R$ 522 milhões
em 2026.
Portanto,
no primeiro semestre de 2026, Campos teve o maior investimento absoluto na
saúde, e Macaé, o maior crescimento dos gastos no mesmo período. Com isso,
pode-se dizer: são dois municípios onde a pasta da saúde é milionária. Resta
saber se as populações estão sendo bem atendidas. Porque o dinheiro não está
faltando. Olha para os números. Eles são exorbitantes!
sexta-feira, 31 de julho de 2026
Campos lidera geração de empregos em junho de 2026, mas ainda sente falta de indústria sustentável
No
panorama do emprego industrial entre os meses de junho de 2025 e 2026, segundo
os dados do CAGED, separamos os dois municípios que tiveram expansão na
empregabilidade no mês de junho de 2026 em relação ao mês de junho de 2025, e
os dois que tiveram retração.
Como
é o caso de Campos, que teve um crescimento de 472,50%, saltando de 40 postos
de trabalho em junho de 2025 para 229 postos em junho de 2026, obviamente por
conta do efeito sazonal da safra do setor sucroalcooleiro. Esse comportamento
demonstra claramente a força das duas usinas em decadência financeira na
economia local. Por outro lado, tal conjuntura reacende o debate a respeito da
industrialização da economia de Campos. O que me deixa à vontade para dizer:
que falta faz a Campos um setor industrial que tivesse sustentabilidade no
médio e no longo prazo. Não se pode esquecer jamais que oportunidade para
industrializar a economia de Campos não faltou em anos recentes de muita
fartura de dinheiro dos royalties, com a criação do Fundo de Desenvolvimento
Econômico (FUNDECAM), cuja experiência da prefeitura local, em governos
passados antes do atual, foi frustrante por diversas razões que o povo campista
está cansado de saber, e é desnecessário salientar aqui para não sermos
redundantes e cansativos. Com isso, quem paga pela inoperância dos gestores
campistas do passado é realmente a população que não tem empregos formais.
Agora não adianta chorar o leite derramado.
Já
em Rio das Ostras, os postos na indústria cresceram 573,33%, subindo de 15
postos em junho de 2025 para 101 postos em junho de 2026. Porém, quem observa
apenas a variação percentual de Rio das Ostras pode achar que a indústria da
Zona Especial de Negócios (ZEN) está num eldorado econômico. Os números
absolutos refutam totalmente o absurdo estatístico dos números relativos.
Do
lado da retração, Macaé teve uma redução de 53,44%, saindo em junho de 2025 de
262 empregos e caindo para 122 em junho de 2026, a despeito de existir no
território macaense a base da Petrobrás. Realmente, a economia macaense em
junho ficou devendo.
A
outra foi São João da Barra, terra do porto do Açu, onde os empregos
industriais encolheram 177,22%, constituindo assim um cenário crítico, pois
saiu de um saldo positivo de 79 empregos em junho de 2025 para um saldo
negativo de 61 em junho de 2026. Uma pergunta não quer calar: cadê os empregos
do porto? É uma conjuntura muito estranha!
Por
fim, vale ressaltar que os dois cenários de menos empregos em junho de 2026
foram registrados em duas cidades do Norte Fluminense que hospedam dois
megainvestimentos: em Macaé, a base econômica da Petrobrás; e em São João da
Barra, a estrutura econômica e logística do Porto do Açu.
quinta-feira, 30 de julho de 2026
Campos gera 844 vagas líquidas em junho — mas o motor é a safra, não a economia
Ainda
sob o bafejo do setor sucroalcooleiro no que tange à criação de postos de
trabalho com a carteira assinada, a economia de Campos, em junho de 2026 em
relação a junho de 2025, elevou a criação de empregos no mercado de trabalho
local, segundo os números do CAGED que saíram no dia de ontem.
Como
se observa em face do atual cenário da empregabilidade local, o setor
industrial foi o principal motor de crescimento, saltando de 40 vagas em junho
de 2025 para 229 vagas em junho de 2026. Tal ascensão decorre das contratações
das duas usinas de açúcar que amargam profunda crise financeira na economia
local. Mas, mesmo assim, elas encontram fôlego financeiro, por mais que a gente
saiba que isso durará até setembro no máximo, para contratação de mão de obra.
Senão, elas não moem.
A
agropecuária, também sob a influência da safra canavieira, gerou 425% a mais de
empregos em junho de 2026, saindo de 60 postos em junho de 2025 para 315 em
junho de 2026. Esses também têm prazo de validade, no caso em tela, até
setembro no máximo, é o mês em que a economia de Campos entra numa trajetória
de desaceleração pelo final da safra da cana.
No
que diz respeito ao comércio, essa elevação de 21,05% em junho de 2026 nos
empregos pode-se dizer que está relacionada ao aumento do fluxo de renda na
economia, também por conta da safra da cana.
Já
o setor de serviços e a construção, segmentos que também dependem do aumento da
renda na economia, ainda não reagiram. Embora os dois tenham ficado com saldo
líquido positivo em junho de 2026, infelizmente, no comparativo entre junho de
2025 e junho de 2026, os dois segmentos perderam empregos: os serviços
encolheram 67,90% e a construção civil, 53,85%.
Por
fim, temos o saldo líquido total, que ampliou 18,37% no intervalo de um ano,
saindo de 713 para 844 vagas líquidas —, o que, de qualquer forma, é motivo
para se comemorar, pois trabalhadores empregados, ainda mais com a carteira
assinada, significam mais dinheiro injetado no comércio, nos serviços e na
construção civil, além de mais arrecadação para os governos fazerem política
pública em benefício da sociedade. Moral da história: nesse cenário, todos saem
ganhando. Isso é muito bom!
quarta-feira, 29 de julho de 2026
Oceano de oportunidades, maré de pobreza: em Macaé, Rio das Ostras e SJB, vulnerabilidade social sobe enquanto Campos recua
Segundo
o Panorama da Vulnerabilidade Social, elaborado com base nos registros do
CADÚNICO do governo federal para os municípios de Campos, Macaé, Rio das Ostras
e São João da Barra, é possível comparar o crescimento e a variação do número
de pessoas cadastradas entre julho de 2025 e julho de 2026, ou seja, em um
intervalo de 12 meses.
Pode-se
constatar que a única cidade a apresentar uma leve redução da pobreza, no
período analisado, foi a economia de serviços de Campos. Enquanto isso, na
economia do petróleo de Macaé, onde está implantada a base da Petrobras e
existem muitas oportunidades de emprego e renda, a pobreza elevou-se em 6,11%,
sendo esse, inclusive, o maior índice de variação percentual entre as cidades
do presente estudo. Em Rio das Ostras, outro município com boas oportunidades
de emprego por conta das empresas multinacionais da Zona Especial de Negócios
(ZEN), a vulnerabilidade social também cresceu, com variação de 3,78%. Já em
São João da Barra, terra do Porto do Açu e de um oceano de prosperidade e vagas
de emprego, a pobreza aumentou 4,61%.
Portanto,
os números da vulnerabilidade social, ou da pobreza, levantados nesta
pesquisa, neste comparativo de 12 meses, mostram uma realidade dura e
contraditória. Os municípios ricos em função da extração do petróleo e dos
grandes investimentos em seus respectivos territórios, como são os casos de
Macaé, Rio das Ostras e São João da Barra, tiveram elevação no número de
cadastrados no CADÚNICO em julho de 2026. Já Campos, com sua economia de
prestação de serviços de baixo valor agregado e baixa remuneração dos
trabalhadores, teve uma pequena redução. Para isso, existem vários argumentos
possíveis. Um deles está relacionado ao modelo capitalista concentrador de
renda e fábrica de exclusão social. Essa seria a primeira e mais objetiva
explicação, lembrando sempre que existem outras.



