Abril de 2026
O
paradoxo de São João da Barra. SJB tem o maior PIB per capita do conjunto (R$
382 mil, mais que o quádruplo de Macaé) e, ao mesmo tempo, o maior índice de
pobreza (72,28%). Quase 3 em cada 4 sanjoanenses estão no CadÚnico, o que é
muito grave do ponto de vista social. Isso não representa um erro de cálculo.
Tal conjuntura é a manifestação clássica do que a literatura econômica chama de
enclave produtivo. Como isso acontece? A explicação é simples. O Porto do Açu e
o complexo logístico-energético geram um valor adicionado bruto extraordinário
que infla o numerador do PIB per capita, mas a riqueza não se converte em massa
salarial local nem em arrecadação que se traduza em política pública
redistributiva. Ou seja, o PIB nasce no porto e sai pela tubulação; a pobreza
fica no município.
Macaé,
dentro do atual contexto, é a melhor colocada (37,24%), pois conta com uma base
de empregos decorrente da atividade petrolífera, um setor de serviços
qualificados e estrutura tributária consolidada que atenua os problemas sociais
municipais quando comparado aos demais municípios da tabela.
Campos
e Rio das Ostras estão tecnicamente empatadas (40,93% e 39,66%). Campos, sede
regional, com hospitais, universidades e comércio, hoje sobrevive das rendas
geradas pela Petrobras e pelo Porto do Açu, pois, na atual conjuntura, não
existe na cidade nenhum grande investimento que possa dar sustentabilidade à
economia local. Já Rio das Ostras vive do excesso das rendas de Macaé, o que permitiu ao município montar uma
Zona Especial de Negócios (ZEN) com algumas empresas multinacionais do setor.
A
nível nacional, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, o
índice médio brasileiro de cadastrados no CadÚnico em relação à população gira
hoje em torno de 35-40%, então três dos quatro municípios, Campos, Macaé e Rio
das Ostras, estão na média ou um pouco acima dela, em uma região que recebe os
maiores volumes de royalties per capita do país, ao contrário dos demais
municípios brasileiros, que vivem submersos numa profunda crise fiscal, exceto
os municípios das capitais.
Portanto,
esse é, em si, o problema fiscal-distributivo do Norte Fluminense dentro dessa
realidade numérica. Ou seja, existe renda, mas ela é mal aplicada pelos
prefeitos da região, que priorizam a elevação da despesa pública em detrimento
dos investimentos geradores de emprego e renda, como todos nós estamos cansados
de saber.