sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Secretaria Municipal da Agricultura, Pecuária e Pesca do governo Wladimir Garotinho perdeu até outubro deste ano 70,28% do seu orçamento incial

 

Execução orçamentária da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Pesca de janeiro a outubro de 2021 em valores nominais (R$ em Milhões)



Segundo os números da Execução Orçamentária da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes (RJ) de janeiro a outubro de 2021, publicado no Diário Oficial, do dia 01/12/2021.

A Secretaria Municipal da Agricultura, Pecuária e Pesca perdeu de orçamento em dez meses de execução, o total de R$ 3,869 milhões, o que representa 70,28%, do quantitativo da dotação inicial ou orçamento aprovado pelo Poder Legislativo, no ano passado, cujo valor ficou no patamar de R$ 5,506 milhões como está registrado no gráfico. E, de outubro a dezembro, ficou para implementar as políticas desse segmento importante, somente R$ 1, 636 milhões.

Assim, importa salientar no ensejo que, além da aludida Secretaria ficar com poucos recursos orçamentários para efetuar as suas políticas públicas, o atual responsável pela pasta, o professor Almir Junior, gastou até outubro, apenas o numerário de R$ 220,450 mil.

Diante disso, pode-se afirmar em face desses números que, talvez, a Agricultura, não seja, a prioridade do governo Wladimir Garotinho, como também não foi na gestão de Rafael Diniz. E, ainda, aqueles que acreditaram na possibilidade de retomada do desenvolvimento econômico de Campos, através do agronegócio fomentado pelo poder público municipal, devem está, sim, profundamente arrependido. O que se falou sobre ela no ano passado, na eleição de prefeito e vereadores e estamos vendo a partir de agora não passa de propaganda enganosa. Essa é a dura realidade municipal.   


Alcimar das Chagas Ribeiro, economista, professor da UENF e diretor do NUPERJ

 Núcleo de Pesquisa Econômica do Rio de Janeiro

Fragilidades da execução orçamentária no estado do Rio de Janeiro

Aprofundando o olhar sobre a execução orçamentária do estado do Rio de Janeiro nesse ano, podemos identificar alguns elementos contraditórios a atual euforia quanto a recuperação econômica do estado. Esses elementos chegam a ser preocupantes.

Inicialmente precisamos considerar que o avanço das receitas correntes no bimestre julho / agosto, que atingiu 67,34% em relação ao bimestre interior, se deu em condições especiais, contabilizado nas receitas patrimoniais. Conceitualmente essas receitas são provenientes de rendas oriundas de patrimônio pertencente ao ente público, tais como: alugueis, dividendos, compensações financeiras/royalties, concessões, entre outras. Por sua natureza não deve ser considerada para uso em despesas permanentes como custeio, já que podem cessar a qualquer momento. O mesmo acréscimo do quarto bimestre não se repetiu no quinto bimestre.

Desconsiderando esse ponto fora da curva, as receitas correntes/média desse ano atingiram R$5.740 milhões mês, valor maior nominalmente 8,9% em relação ao mesmo periodo do ano passado.

No contexto dessas receitas, as receitas tributárias (receitas próprias) se estabilizaram em torno de 62,16% das receitas correntes, ficando o restante a cargo das transferências constitucionais. A figura 1 a seguir apresenta o seu comportamento ao longo do ano.

Figura 1: Elaboração própria com base no SEFAZ-RJ.

 

Já no grupo das despesas, as de pessoal e encargos também apresentaram pouca variação se estabilizando na média em torno de 59,43% das receitas correntes. Vejam que estão no limite do parâmetro de 60% das receitas correntes liquidas definido pela Lei de Responsabilidade fiscal. A figura 2 a seguir mostra o comportamento das despesas com pessoal no ano.

 

Fonte: Elaboração própria com base no SEFAZ-RJ.

 

As receitas próprias são suficientes para pagar salários e encargos, mas não para pagar o restante do custeio (outras despesas correntes), conforme figura 3 a seguir.

 

Fonte: Elaboração própria com base no SEFAZ-RJ.

 

Aliás nesse grupo de despesas encontramos um problema. Enquanto as receitas próprias e as despesas com pessoal se mantiveram quase que estáveis no período, desconsiderando o ponto fora da curva do quarto bimestre, as outras despesas operacionais (custeio) se apresentaram mais “gulosas”. Essas despesas no valor de R$1.077 milhões, começam o primeiro bimestre com participação de 9,16% das receitas correntes e encerram o quinto bimestre com um valor de R$4.858 milhões e uma participação de 44,65% das receitas correntes no periodo.

Voltando as receitas não continuadas (intermitentes) como as ocorridas no quarto bimestre, essas devem ser alocadas em investimento, cujo natureza é atender objetivos intergeracionais e provocar o bem estar da população. Essa conta no balanço apresenta valores em crescimento, porém os montantes são irrisórios transformando os incrementos percentuais sem importância na análise. No periodo de janeiro a outubro desse ano, o valor de investimento (despesa de capital) somou R$631.492 mil equivalentes a 0,93% das receitas correntes.

Uma conclusão importante é que para um estado que precisa incentivar novas atividades econômicas e fortalecer as atividades existentes, objetivando uma maior dinâmica econômica com reflexos na arrecadação, um esforço de investimento nesse patamar é extremamente baixo e insuficiente para alcançar os seus objetivos. Faltam projetos que justifiquem a liberação dos recursos de capital disponíveis no âmbito do estado.

 

*Alcimar das Chagas Ribeiro, economista, professor da UENF e diretor do NUPERJ

 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

No ano da recuperação econômica tem recessão técnica. Cadê o Posto Ipiranga?

 

Recessão técnica



O PIB do terceiro trimestre (julho, agosto, setembro) de 2021, divulgado hoje pelo IBGE, teve variação negativa de (- 0,1%) em face do PIB do segundo trimestre deste ano, que também ficou negativo. Configurando, assim, de acordo com a Ciência da Economia, numa recessão técnica.

O setor da agropecuária amargou a maior queda ficando em (- 8,0%), a indústria se manteve em (0,0%), o setor de serviços cresceu (+1,0 %), a formação bruta de capital fixo (FBCF) os investimentos encolheram (- 0,1%) e o consumo das famílias e do governo, respectivamente, aumentaram (+ 0,9%) e (+ 0,8%).  

Agora, quando se compara o PIB do terceiro trimestre de 2021 com o mesmo período de 2020, o ano da recessão de (- 4,0%) da economia brasileira, por conta da pandemia do Covid-19, observa-se, todavia, que ele cresceu (+ 4,0%), sobre uma conjuntura de desaceleração do sistema econômico. O que do ponto de vista estatístico tem pouca representatividade.   

Portanto, o cenário de retração acima, faz com que os agentes econômicos  refaçam as suas contas sobre o crescimento de 2021. Já que no início do ano, as previsões era de um PIB de mais de 5% e talvez ele fique em torno de 4% e olhe lá. Porque o Banco Central não abrirá mão de mais um aumento da SELIC, agora em dezembro, no intuito de tentar debelar a inflação. E os juros altos como todos nós sabemos depõe contra a expansão da economia. Aliás, eles travam o crescimento da atividade econômica. O que fazer, então, diante desse cenário paradoxal, se até o Posto Ipiranga encontra-se de tanque vazio?   


Gastos da Saúde de Campos em dez meses de 2021 já estão acima de meio bilhão

Execução orçamentária da Saúde do município de Campos dos Goytacazes (RJ) de janeiro a outubro de 2020 e 2021 em valores nominais - (R$ em Milhões)



Segundo os dados da Execução Orçamentária da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes (RJ), publicada no dia 1/12/2021, no Diário Oficial.

O governo Wladimir Garotinho gastou em dez meses do exercício fiscal de 2021 na Saúde o total de R$ 613,705 milhões. E, de janeiro a outubro de 2020, no governo Rafael Diniz, eles atingiram o montante de R$ 597,697 milhões.

Portanto, o crescimento da aplicação de recursos na Saúde campista em 2021 em relação a 2020 foi de apenas 2,68%.


quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Mais empregos com rendas menores




 

A economia do município de Campos dos Goytacazes (RJ) pelo décimo mês consecutivo de 2021 abriu postos de trabalho com a carteira assinada, de acordo com o CAGED publicado ontem, relativo ao mês de outubro.

No mês de outubro de 2021 o saldo líquido das contratações ficou positivo em 88 vagas, o que é muito bom para a cidade, tendo em vista, que o Brasil possui, hoje, mais de vinte milhões de desempregados, numa situação bastante delicada e vivendo da economia informal ou de auxílios governamentais.

Todavia, no ensejo, importa salientar que, os trabalhadores que estão empregados, enfrentam a problemática, na atual conjuntura, do aviltamento das suas rendas em decorrência da inflação e também em função dos baixos salários pagos, pelo setor produtivo nacional, devido à precarização do fator trabalho que a cada dia se eleva no Brasil.

E, particularmente, no caso da realidade do mercado de trabalho de Campos, o quadro da empregabilidade não fica tão diferente. Por sermos uma economia de serviços e de comércio, aqui também, existem as baixas remunerações, impedindo, com isso, a classe trabalhadora, de acessar os bens de alto valor agregado, como automóvel e o sonho da casa própria, dentre outros.

Portanto, a despeito do município está gerando empregos desde janeiro, é necessário que eles sejam de qualidade e possuam bons salários, pois só assim, todos sairão ganhando e não apenas, uma minoria de privilegiados, os  donos do capital.

A economia de Campos pelo décimo mês consecutivo gerou empregos com a carteira assinada

 

Saldo líquido do emprego do município de Campos dos Goytacazes (RJ) de outubro de 2020 e 2021- segundo o CAGED



De acordo com o último CAGED publicado no dia de ontem, o município de Campos dos Goytacazes (RJ), pelo décimo mês consecutivo do ano de 2021, abriu postos de trabalho. No total do mês de outubro de 2021 foram 88 e no mesmo período do ano passado o total era de 214.

Os segmentos econômicos que puxaram a empregabilidade agora em outubro foram os setores de serviços, o comércio e a construção, abrindo cada um deles, respectivamente, 147, 90, e 88 vagas.

Enquanto isso, a agropecuária em outubro de 2021 perdeu 28 empregos e a indústria destruiu 209, refletindo, com isso, o final da safra do setor sucroalcooleiro.

E, em outubro de 2020, o segmento responsável em deixar o saldo líquido positivo foi o comércio, por conta do reaquecimento da economia nacional e local, após os períodos de fechamento por conta do Covid-19.

Por fim, pode-se dizer que, a despeito da safra do setor canavieiro ter finalizado as suas atividades, a economia de Campos, continuou gerando empregos com a carteira assinada. Demonstrando, diante disso, a força do setor de serviços e do comércio, que a cada dia se fortalecem mais. O que é muito bom para nós.


Mais empregos!

 Por Alcimar das Chagas Ribeiro

A região Norte Fluminense gerou 802 vagas de emprego em outubro

A região Norte Fluminense gerou 802 novas vagas de emprego em outubro, retraindo 54,28% em relação a setembro. Macaé continua liderando com 1.299 vagas criadas, seguido por Campos dos Goytacazes com 88 vagas criadas e São João da Barra com 59 vagas criadas no mês. No acumulado do ano, foram geradas 15.498 vagas de emprego concentradas em 60,13% em Macaé; 28,89% em campos dos Goytacazes e 7,50% em São Francisco de Itabapoana.

Setorialmente, as atividades de serviços geraram 4.617 vagas, seguida pelas atividades de construção civil com a geração de 4.022 vagas e as atividades industrias com 2.686 vagas. A agropecuária gerou 2.059 vagas e o comércio gerou 1.520 vagas de emprego no acumulado do ano na região.

O estado do Rio de janeiro gerou 142.234 vagas de emprego no ano, enquanto o país gerou 2.645.974 vagas.