sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Nas Mãos de um tal Bigode

 

CRÔNICA

Por C. Alfredo Soares



Minha faculdade ficava no Rio comprido. Fui estudar lá em 83. Resolvi fazer o vestibular por querer ser jornalista. Tinha adoração pelo rádio e, já antes da faculdade, havia começado a trabalhar no meio na pequena rádio da minha cidade – A rádio Teresópolis 1510 AM, nos idos dos anos 70/80, pertencia ao Sistema Globo de Rádio e, trabalhar nela, significava meio pé dentro da rádio Globo do Rio, uma gigante da radiodifusão fluminense que já não existe mais. Por lá passaram grandes nomes do rádio carioca – meu desafio começava ainda em na cidade serrana, de onde partia no ônibus das 05 da manhã rumo ao Rio de Janeiro. Saíamos correndo de casa, a princípio eu sozinho, logo depois eu e minha irmã caçula.

Marcia fazia Psicologia na extinta Gama Filho, eu Comunicação Social na Estácio de Sá. Valéria estudava a noite, também na Gama Filho, que ficava lá em Piedade. O trio de sonhadores destemidos, como deveríamos ser. Até hoje eu não acredito em nossa ousadia juvenil.

O ônibus chegava na Novo Rio por volta das 6:40, uma hora e quarenta minutos depois de ter saído de Teresópolis, minha aula começava às 7:15. Descíamos correndo e com cara de sono. Me despedia da Márcia, que pegava o 277, e corria para o terminal urbano, no outro lado da plataforma de desembarque da rodoviária. Ali de manhã era um verdadeiro caos. Todos corriam para chegarem nos seus destinos a tempo. Muitos chegavam, outros partiam. Não dava para dar bom dia a ninguém, mesmo as caras sendo repetidas ao longo dos quatro anos que transitei afoito naquela estação.

O ônibus era o azulão da CTC. A linha era a 133, Rodoviária/Largo do Machado/via Rio Comprido. Pra garantir um lugar sentado na lotação era preciso enfrentar a fila no terminal, mesmo assim era difícil ir sentado. O ônibus saia lotado. Ao volante um motorista baixinho e metido a piloto de corrida. Bigode era o nome dele. Quando ele arrancava com o ônibus sabíamos que iríamos viver uma pequena aventura nas suas mãos. Bigode se sentia um Deus ao volante. Conduzia a gente como se fôssemos gado indo para o matadouro. Sempre com a picardia do carioca, dirigia e contava vantagens para aqueles passageiros que ficavam mais próximo da frente da condução.

O ônibus saia de Santo Cristo rumo a Leopoldina, passando por cima do viaduto da Francisco Bicalho. Com o motor na traseira e soltando mais fumaça que um trem movido a carvão, Bigode fazia o troço andar.

A galera se empolgava e incentivava a cada curva.

Ele subia o viaduto embalado e descia numa velocidade que dava a impressão que a morte estava bem próxima pra todos nós, pobres passageiros.

Bigode passava em frente ao Batalhão de São Cristóvão sem reduzir a velocidade, sem se importar com uma curva de 90 graus que teria que fazer para alcançar a gare da Leopoldina. Sorte nossa se o sinal, após o batalhão, estivesse vermelho, pois ele seria obrigado a parar, mas ele cronometrava o tempo e, quase sempre, conseguia pegar o semáforo verde. Do jeito que ele vinha entrava na curva com aquele ônibus largo fazendo roçar a lateral da sua carroceria no asfalto. Aquilo levava a turma ao delírio. Varias foram as vezes que fui parar em cima de quem estava sentado por não aguentar segurar as barras de segurança do salão da condução, que todos ali chamavam de “putaquepariu”.

A viagem seguia e Bigode parava no ponto em frente a estação. Suas freadas pra frear faziam tanto barulho que parecia que o motor ia se soltar e nos atingir. Ali na estação, o que já estava lotado, entornava. Era um em cima do outro. Eu já pensava em como iria descer quando chegasse a minha vez.

Bigode partia em direção a estação do metrô do Estácio. Lá pelo menos desciam muitos e subiam outros tantos. Bigode não parava de tagarelar com os passageiros e a gritar com o trocador. Contava vantagens sobre outras linhas que havia atuado. Suado, levava uma toalha no pescoço e parecia dirigir em pé nas pontas dos dedos. Quando estávamos na Paulo de Frontin, debaixo do famoso viaduto, eu já estava próximo do meu destino.

A minha viagem era curta. Com o tempo já conhecia vários passageiros. Sempre tinha alguém pra segurar minha mochila ou sacola com meus livros. Quando descia em frente a Faculdade me despedia de Bigode, ele abria a porta e não parava o ônibus no ponto, eu pulava e ele acelerava de novo. Só me restava pensar como se daria a viagem dali pra frente, subindo em direção ao Cosme Velho e descendo em Laranjeiras com aquele louco de camisa azul, aberta no peito e, com calça preta de tergal, domando um ônibus velho, quadrado e barulhento por ruas apertadas.

O Largo do Machado ficava do outro lado do morro. De um lado era subida e do outro só descida. Confesso que nunca completei o percurso, mas bem gostaria. Viajei nessa linha por quase todo meu período da faculdade.

Com o fim da encampação houve a saída da CTC e entrou outra empresa. Bigode ainda resistiu um pouco na linha, mas depois sumiu. Dizem que, por ironia do destino, foi dirigir a lotação de Paciência, como se isso fosse possível ele.

Foi durante aqueles anos, que na pratica, aprendi um pouco do verdadeiro espirito do carioca.

 Fonte:https://www.pressenza.com/pt-pt/2021/10/nas-maos-de-um-tal-bigode/


quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Construção civil de Macaé contratou de janeiro a setembro de 2021 mais de 4.000 trabalhadores com a carteira assinada. Parabéns!

 

Saldo líquido dos empregos do mercado de trabalho da construção civil nos municípios de Campos, de Macaé, de São João da Barra e de Rio das Ostras segundo o CAGED



O mercado da construção civil na nossa região voltou a contratar de janeiro a setembro do ano de 2021 e o destaque é para a economia de Macaé, que demonstrou através dos dados do gráfico, um grande vigor nesse segmento. Parabéns ao município de Macaé!


quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Mais empregos no comércio!

 

Saldo líquido de empregos dos municípios de Campos, de Macaé, de Rio das Ostras e de São João da Barra segundo o CAGED



A conjuntura da empregabilidade do comércio na região de janeiro a setembro melhorou, significativamente, quando comparado ao mesmo período do ano passado. Segundo a publicação do último CAGED, conforme está registrado no gráfico. É uma excelente notícia para todos nós.


quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Setor de serviços aumentou as contratações de trabalhadores com a carteira assinada em 2021

 

Saldo líquido = contratações menos demissões dos municípios de Campos, de Macaé, de São João da Barra e Rio das Ostras 




Saldo líquido do setor de serviços dos municípios de Campos, de Macaé, de São João da Barra e de Rio das Ostras, de janeiro a setembro de 2020 e 2021, segundo o CAGED.

Como se observa no gráfico, o mercado de trabalho de prestação de serviços da nossa região melhorou, significativamente, quando comparado ao do ano passado. O que é muito bom para todos.


quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Orçamento da Assistência Social aumentará em 10,05% em 2022

Orçamento da Função Assistência Social do município de 2021 e 2022 de Campos dos Goytacazes (RJ) - em valores nominais - (R$ em Milhões)  



O orçamento da Assistência Social do governo Wladimir Garotinho para o ano de 2022 aumentará 10,05%, quando comparado ao do exercício fiscal de 2021. Neste ano ele foi de R$ 43,509 milhões e no ano que vem será de R$ 47,882 milhões.

Portanto, tal iniciativa é relevante num momento em que o município, assim, como o país inteiro, vem enfrentando uma grande crise social, com pessoas, inclusive, se alimentando de restos de comida encontradas em caminhões de lixo. O que se constitui numa barbaridade do ponto de vista humano.  


terça-feira, 26 de outubro de 2021

Pelo nono mês consecutivo de 2021 a economia de Campos gerou empregos com a carteira assinada

 

Saldo líquido do emprego da economia de Campos dos Goytacazes (RJ) de setembro de 2020 e 2021 segundo o CAGED



Segundo o CAGED que foi publicado agora pela manhã, o município de Campos dos Goytacazes (RJ), abriu 211 postos de trabalho em setembro de 2021. E, neste mesmo período do ano passado, o quantitativo de vagas abertas atingiu o numerário de 411 empregos.

Diante desse cenário, pode-se dizer que, pelo nono mês consecutivo a economia campista gerou empregos com a carteira assinada. Importa salientar, ainda que, em setembro de 2021 todos os segmentos econômicos encerraram o mês com o saldo líquido positivo, apenas, a agropecuária ficou negativa, refletindo, com isso, o final da safra do setor sucroalcooleiro, que entrou numa curva de demissões em massa. Infelizmente.   


Orçamento dos Fundos da Prefeitura Municipal de Campos

 

Orçamento dos Fundos da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytcazes (RJ) de 2022 - em valores nominais (R$ em Mil )


Gráfico I



                                                                             Gráfico II



Orçamento dos Fundos pertencentes à Administração Pública municipal de Campos dos Goytacazes (RJ) do ano fiscal de 2022. De acordo com o Projeto de lei Orçamentária (LOA), que será votado até o final deste ano pelo Poder Legislativo local.

Como se observa nos gráficos I e II, o fundo que possui mais recursos é o Fundo Municipal da Saúde (FMS), vinculado a Secretaria Municipal de Saúde, a pasta que tem o maior orçamento da prefeitura. E viva a saúde!