Segundo
os dados da execução orçamentária extraídos do site do TCE-RJ, no que diz
respeito à Assistência Social dos municípios de Campos dos Goytacazes e de
Macaé, no período de janeiro a abril de 2025 e 2026, surge um paradoxo
interessante: numa conjuntura em que os royalties e as participações especiais
se encontram em trajetória altista, impulsionados, entre outros fatores, pelo
conflito geopolítico entre os Estados Unidos e o Irã, os dois municípios
cortaram investimentos na área social.
Os
prefeitos, ao invés de ampliarem a cobertura social, reduziram recursos
justamente onde a necessidade é maior. Campos possui 40,9% de sua população
inscrita no CadÚnico, mais de 212 mil pessoas, enquanto Macaé registra 37,2%.
São exatamente os municípios que deveriam expandir a proteção social, e não
enxugá-la.
A
título de exemplo, Campos retirou R$ 9,95 milhões da área social, queda de 26%
em doze meses. Macaé cortou R$ 3,66 milhões, recuo de 10%. Juntos, os dois
municípios subtraíram R$ 13,6 milhões da assistência social no período
analisado, evidenciando um descaso com a função social do orçamento num momento
em que a arrecadação municipal cresceu, conforme salientado anteriormente.
Uma
pergunta, portanto, não quer calar: para onde foram destinados os recursos
retirados da área social? Será que as administrações municipais estão cortando
no social para honrar o pagamento de dívidas? As autoridades devem uma
explicação à população, sobretudo à parcela mais pobre, que é sempre a primeira
a sofrer em momentos de contenção de despesa pública.
No
caso de Campos, a hipótese fiscal tem respaldo nos dados da própria LDO 2027 de
Campos dos Goytacazes, encaminhada pelo governo Frederico Paes à Câmara
Municipal. O documento prevê, para 2026, R$ 108,7 milhões em amortização de
dívida e R$ 39,7 milhões em juros, total de R$ 148,4 milhões só em dívida e serviço
da dívida, valor que supera em mais de dez vezes o corte realizado na
assistência social no período analisado. A pressão do endividamento municipal
sobre o orçamento social, portanto, não é retórica: é verificável nos próprios
documentos oficiais.

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