segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O Agente Secreto, a memória histórica e a lição de Ulisses Guimarães: “tenho ódio e nojo da ditadura”

 

Dois filmes brasileiros foram contemplados no exterior ao abordarem um dos períodos mais vergonhosos da história do nosso país: a ditadura militar. O Agente Secreto, premiado ontem no Globo de Ouro 2026, em Los Angeles, é dirigido por Kleber Mendonça Filho, cineasta reconhecido por obras como Bacurau e Aquarius. Na mesma premiação, Wagner Moura recebeu o prêmio de Melhor Ator. O outro filme, Ainda Estou Aqui, é do diretor Walter Salles, consagrado internacionalmente por trabalhos como Central do Brasil e Diários de Motocicleta, e foi premiado em março de 2025, reforçando seu reconhecimento internacional. A atriz Fernanda Torres foi laureada, e o elenco ainda contou com a atuação marcante de Selton Mello. Essas conquistas enchem de orgulho a alma do povo brasileiro, que não merece jamais voltar a sofrer a humilhação imposta pelo regime militar.

O que causa profunda preocupação é o fato de ainda existir, na sociedade brasileira, um segmento de extremistas de direita que ignora,  ou finge desconhecer, esse período sombrio e sangrento da nossa história. Trata-se de um tempo que deixou marcas indeléveis na vida social, política e institucional do país, marcado por métodos autoritários e pela supressão de direitos. Ainda assim, há quem defenda o retorno da ditadura, muitas vezes iludido por narrativas fantasiosas difundidas por pseudo-líderes que insistem em apresentar aquele momento como uma fase de prosperidade econômica. Foi, na verdade, um período de intenso sofrimento, minha gente.

Para quem não sabe, ou prefere esquecer, a hiperinflação brasileira, que chegou a cerca de 80% ao mês e ultrapassou 2.000% ao ano, foi consequência direta das políticas adotadas durante os governos militares. Uma herança maldita, fruto de gestões públicas temerárias, que os governos civis posteriores precisaram enfrentar. A estabilização da economia só ocorreu com o Plano Real, em 1994, no governo Fernando Henrique Cardoso. À época, o Brasil encontrava-se profundamente endividado junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), acumulando uma das maiores dívidas externas do mundo. Resultado da atuação do então ministro da Economia, Delfim Neto, que optou por expandir o PIB por meio do endividamento externo e pela concentração significativa de renda. Quem pagou essa conta foi a população brasileira, sobretudo os mais pobres. Faço aqui apenas um breve resumo, sem me aprofundar nos detalhes da conjuntura econômica sob os generais.

Por fim, destaco que filmes como os premiados acima cumprem um papel fundamental ao lembrar e relembrar a sociedade da tragédia vivida pelo Brasil sob o comando dos militares. Para ilustrar, o deputado federal Ulisses Guimarães, do PMDB, homem de hábitos conservadores, afirmou com clareza: “Eu tenho ódio e nojo da ditadura”. Não há muito mais a acrescentar. Como autor deste breve texto, faço questão de deixar explícito: eu também tenho ódio e nojo da ditadura.

 


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