O
gráfico apresenta o comportamento do mercado de trabalho da economia de Campos
dos Goytacazes (RJ) segundo o CAGED, comparando abril de 2026 com abril de
2025.
No
que diz respeito ao saldo líquido total mensal, ocorreu uma retração na geração
de postos de trabalho de 30,2% em relação a abril do ano anterior.
Na
construção civil, observou-se um aumento na criação de empregos de 45,9% em
abril de 2026 frente ao mesmo período de 2025. O setor de serviços também
expandiu suas contratações em 13,3%. O comércio, por sua vez, registrou
expressiva queda da empregabilidade de 147,7%, a indústria encolheu a geração
de vagas em 73,1% e a agropecuária experimentou recuo de 27,6%.
Diante
dessa conjuntura, em que apenas a construção civil e os serviços ampliaram a
criação de postos em abril de 2026 em relação ao mesmo mês de 2025, enquanto os
demais setores reduziram seus quantitativos ou fecharam no vermelho, como é o
caso do comércio, pode-se afirmar que abril de 2026 exibiu uma piora na
empregabilidade em Campos em relação ao período correspondente do ano passado.
O que não é bom para a nossa cidade.
A
queda de 147,7% no comércio merece atenção especial. Matematicamente, ela
reflete a inversão do saldo, de +174 vagas em abril de 2025 para -83 em abril
de 2026, o que significa que o setor passou a destruir empregos líquidos. Em um
município cuja economia é majoritariamente terciária, esse movimento pode
sinalizar retração do consumo local, possivelmente associada ao efeito da Selic
elevada sobre o crédito e o poder de compra das famílias.
Outro
ponto merece reflexão: a agropecuária e a indústria apresentaram redução nos
empregos gerados em abril, quando, na verdade, já deveriam estar contratando os
trabalhadores safristas. Abril é o mês que antecede o início da safra
sucroalcooleira, que tradicionalmente começa a moer em maio. Essa conjuntura é
motivo de preocupação, pois o setor, apesar de viver sua decadência econômica e
financeira, ainda gera expressivo contingente de empregos na economia local.
Trata-se de um comportamento bastante incomum.
A
hipótese mais provável para a antecipação do recuo safrista é a deterioração
financeira das duas usinas ainda em operação no município. Com dificuldades de
caixa, é possível que o cronograma de contratações tenha sido adiado ou
reduzido. Vale monitorar os dados de maio e junho, quando o CAGED deverá
revelar se a safra de fato se confirma ou se o setor aprofunda a contração.
Por
fim, o comportamento do mercado de trabalho de Campos em abril de 2026
demonstra o arrefecimento da atividade econômica no município neste mês.

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